Grã-Bretanha tem 'boom' de mães com mais de 50 anos
Dados oficiais revelam que houve aumento de 55% dos nascimentos nessa faixa etária em 2009 em relação ao ano anterior.
Da BBC

Le Page, com os filhos, criadora de organizaçãopara conselhos sobre fertilidade. (Foto: BBC)Mulheres que têm filhos depois dos 50 anos de idade costumam ser criticadas por colocar seu desejo de ser mãe acima do bem-estar da criança, mas a britânica Linda Weeks disse ter recebido muito apoio quando apelou para anúncios em ônibus londrinos pedindo uma doadora de óvulos."Nós nunca seremos Mamãe e Papai a menos que uma mulher maravilhosa de 36 anos ou menos possa nos ajudar doando alguns de seus óvulos", dizia o anúncio. "Você é a nossa única chance de felicidade."A tática deu certo. Em 2008, Linda, então com 55 anos, e seu marido Richard comemoraram o nascimento de Katy, após 14 anos de tentativas frustradas, graças a uma doadora anônima.Tratamento no exteriorMuitas clínicas particulares britânicas ofecerem tratamento de fertilização in vitro em parceria com instituições no exterior, principalmente para mulheres mais velhas.Segundo Le Page, isso acontece porque há um número limitado de doadores de óvulos e sêmen na Grã-Bretanha, o que pode levar a uma espera de até dois anos para a implantação do embrião, tempo precioso demais para mulheres que estão desesperadas para engravidar.'Fiz meu primeiro tratamento na Escócia, mas na hora de ter o segundo filho decidi ir para Barcelona, na Espanha, onde eles são referência nesse tipo de procedimento e as coisas andam muito mais rápido', disse a consultora de fertilidade.Na Grã-Bretanha, o sistema público de saúde, o NHS, oferece o FIV de graça, mas as regras variam enormemente dependendo de onde a paciente mora. A lista de espera, por exemplo, é de 4 meses e meio, em média, no Leste do país, mas pode chegar a até dois anos na região central.Em geral, o NHS oferece três ciclos de fertilização in vitro para mulheres até os 39 anos de idade. Nos tratamentos usando óvulos doados, o limite de idade é de 45 anos, na maioria dos casos.Para as mulheres mais velhas, a única opção pode ser recorrer ao tratamento privado. 
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Mães revelam a emoção da descoberta de uma gravidez 'Seguindo os passos da Europa'O diretor da Clínica Mater, em São Paulo, dr. Cristiano Eduardo Busso, acredita que o número de mulheres acima dos 50 anos procurando por tratamento de fertilidade ainda não seja tão grande no Brasil porque a população do país não é tão envelhecida como a da Europa.'Daqui a alguns anos, vamos ser colocados no mesmo dilema ético que a Grã-Bretanha está passando agora. Há um conflito de interesses que surge quando aumenta a procura de mulheres mais velhas por tratamento, porque isso representa um filão econômico', disse o dr. Busso.'Acredito que deveria haver uma orientação geral em relação à idade máxima para mulheres interessadas em fazer o tratamento para que essa decisão tão importante não seja tomada de modo arbitrário por cada estabelecimento.'Muitos médicos que defendem o tratamento para pacientes mais velhas dizem que hoje as mulheres de 50 anos estão mais em forma que as mulheres da mesma idade de 10 ou 20 anos atrás e, por isso, estariam muito mais preparadas para levar uma gravidez até o fim de forma segura. Mas nem todos concordam.'As mulheres mais velhas de hoje em dia não são mais saudáveis nem menos saudáveis do que elas eram 10 anos atrás. A única diferença é que hoje contamos com uma tecnologia mais avançada para realizar os procedimentos e detectar possíveis riscos para a saúde da mãe', disse o diretor da Clínica Mater.





















